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E no meio do caminho… tinha um chiclete iluminado.

O amor muitas vezes parece mesmo um chiclete mastigado, abandonado numa escada qualquer. Não se sabe se foi subindo ou descendo. Ele está apenas no meio do caminho. Poucos param e o observam. Ainda assim, seguem, até mesmo esquecendo do que foi visto. Alguns outros, tentam arrancá-lo do chão, sem sucesso. Outros ainda, pisam distraídos ou mesmo por querer.

O chiclete – como o amor – passa a maior parte de seus dias a meia luz, fonte da lajota de vidro na parede da escada. Vez em quando, o temporizador da lâmpada é acionada pelo movimento de passantes, para a felicidade do chiclete que ganha um pouco mais de luz em sua existência inerte.

O tempo passa e ele ali se mantém. Muda um pouco de forma, de cor, de textura. Endurece e se recolhe, quando o tempo está mais frio e sem sol. Amolece e espalha quando a temperatura sobe. Diferente do amor ou nem tão diferente assim. O amor pede companhia, calor e cuidado quando tudo parece frio e duro demais. Pede espaço e compreensão quando sua e precisa de refresco.

Tem gente que engole o chiclete mastigado – será que gruda no estômago ou consegue ser eliminado? Tem gente que nem chiclete masca. Tem gente que compra só para tirar o amargo da boca e beijar desconhecidos, sem compromisso. Tem gente que nunca provou chiclete. De todas essas formas, também experimenta-se o amor.

Escrito por Paula Maria

É psicoterapeuta, coach e educadora formativa. Gosta de gente, de estudar, de fazer bolo e dançar like no one's watching. É alguém que aposta e acredita em um mundo melhor.

Minhas colagens de personagens Disney repletas de texturas e detalhes

As ilustrações surreais espetaculares de Cyril Rolando